dezembro 13, 2003

Hipóteses de um retrocesso civilizacional catastrófico neste século

«É imperioso defender a vida inteligente que existe na Terra, até porque pode ser única em todo o Universo, diz o astrónomo britânico Martin Rees, professor e investigador da Royal Society.»

Seguem-se algumas preocupações deste britânico numa entrevista ao Público quando esteve em Coimbra, para participar num ciclo de debates da Capital da Cultura.

«Um dos riscos óbvios é o de uma guerra nuclear.»

«...os desenvolvimentos na biologia e nos computadores, que podem levar-nos a construir máquinas inteligentes, e à capacidade de modificar os seres humanos. Houve uma coisa que não mudou desde que existe civilização: a natureza humana. Mas, neste século, até isso pode mudar, através de drogas, modificações genéticas ou implantes cerebrais.»

«Mas a maior parte das descobertas pode ser sempre usada para fins bons, perigosos, ou não éticos. Temos de nos assegurar da maximização dos benefícios, e evitar os riscos, colocando a fasquia ética sempre o mais alta possível.»

«Um dos perigos actuais é causado pela proeminência americana e pelas suas políticas que, em muitos aspectos, estão a tornar o mundo mais perigoso, ao encorajar mais estados a desenvolver armas nucleares.»

«Sou um especialista na ciência do espaço, astronomia e cosmologia, mas faço parte da comunidade científica, sou professor universitário, um cidadão, e por todas estas razões, sinto que é minha obrigação falar também com um público mais vasto. É muito importante que a actividade dos cientistas não seja discutida apenas por eles, mas por todos. As escolhas éticas devem ser feitas também através do público, para que este tenha pelo menos algum entendimento da ciência. É uma obrigação estimular o diálogo com mais pessoas e com os políticos.»

«As questões da globalização são muito importantes e devemos assegurar que as vantagens não são apenas para os países ricos - e Portugal é quase um país rico - mas que vão também para locais como África»

« Há alguns bons desenvolvimentos: informação, tecnologia e miniaturização são bons exemplos, porque proporcionam avanços económicos e melhorias na qualidade de vida sem gastar recursos ou energia e sem poluírem o ambiente. Mas temos de estar todos conscientes de que nunca será possível para todas as pessoas no mundo atingir o nível de vida médio de um americano ou mesmo de um português.»

Felizmente há pessoas que advertem para o facto de o desenvolvimento tecnológico poder ser trágico para a humanidade, se mal aplicado.

Publicado por vmar em dezembro 13, 2003 08:01 PM
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